Convivemos com as pontes indestrutíveis criadas pelo orgulho. Talvez eu conviva sozinha. Deixemos de lado. Pontes que antes eu queria destruir, por amizade, por amor. Eu não sei. Agora me dei conta que já não tenho coragem, que me faltam palavras pra expressar alegria e sinceridade, me dei conta que já não tento fazer certo algo que não é. Já nem sei se tudo isso realmente importa.
O segredo sabido por todos é aquela velha história de apenas manter a mente ocupada. Eu tentei. Quase cheguei lá. Quase. Sem muito tempo para reflexões e silêncios.Tentando desesperadamente não pensar nas vontades que não deveriam existir. Quase...
Sonhos e pesadelos são inconscientes... O amor também?
A tanto tempo que não derramava uma lágrima por ele. E assim num mero silêncio da noite me peguei pensando no que não devia.
Orgulho... não sei mais o que dizer sobre isso. Não sei descrever, nem quantificar ou qualificar. Sempre achei que não valia a pena, que o orgulho estragava... já não sei se penso assim e agora ando contra minhas próprias opiniões. A que ponto cheguei? Quem sou eu que já não sou capaz de reconhecer? Nunca fui.
Tempo? Apenas mais uma armadilha. Vá para o inferno com o tempo. Ele cura ou cicatriza... melhor! ele adormece. E de repente abocanha pelos lados e despedaça tudo o que demorou tempo suficiente para se estabilizar.
Na verdade, não sei se tudo isso importa.
Há tempos eu não pensava na falta que me fazia... amar alguém do jeito que se deve, a tempos eu tentava não lembrar, mas é incrível como a dor quer sempre estar presente, é fatal como todas as coisas ao redor me fazem lembrar. Como depois de beijar alguém, um nome vem a minha mente. O nome de quem não está mais presente... e nunca mais estará. É esquisito perceber que as coisas tem um fim irreal, imaginário. Como o orgulho faz isso presente contra nossa própria vontade.
Continua sendo estranho seguir um caminho diferente daquele ciclo vicioso que eu estava tão acostumada. É difícil caminhar em frente sem saber o que esperar... quem esperar. Horrível não poder colocar esperanças em cima de ninguém, mesmo sabendo que é assim o certo. Dói menos?
Já não tenho mais tanta certeza. E continuo sem saber se a importância disso tudo é relevante.
Existem coisas que não se esquecem, marcas que não se apagam e palavras que o vento não leva. Me sinto aprisionada a uma corrente na boca de um labirinto, só esperando que volte a me chamar, só esperando que alguém possa me soltar... e assim eu poderei realmente ir embora. Prisioneira das minhas próprias armadilhas, prisioneira de um orgulho que não é só meu.
Isso tudo importa?
Eu sei que importa.
Se vou ao meu funeral desprezo minha morte. Sorrio e acrescento mentiras. A única coisa que fui capaz de querer acreditar é que nada vai mudar o que o tempo for capaz de deixar para trás.
Tempo, tempo, tempo...
Mantenho a mente ocupada para não deixar o coração mandar. E em todos esses dias, eu não sei o que sinto... Parece um resto de qualquer coisa perdida. Uma lamina que cutuca mas não corta, uma ferida que sangra mas não dói. Ainda existe um silêncio que incomoda de tão indiferente. E por um instante eu desejo que fique assim para sempre. Por um instante...
Os fantasmas estão partindo como se nunca tivessem bebido vinho comigo na mesa de jantar. Eles vão indo, e não importa o quanto eu grite, acho que nunca vão voltar. Só me disseram que era hora de partir. Eu queria que tivessem ficado.
Estranho dormir e se sentir acordada.
Novamente vem a sombra me guiar, uma dança cansativa por toda a estrada. Não há ilusões, nenhum rosto puramente branco... não a nada em minha mente. Uma nova coreografia que exige sorrisos por mais tempo.
Como é bom chegar em casa. Mas vamos, vamos dançar mais uma vez.
E 1,2,1,2. Sorrisos, sorrisos. Oi, tudo bem?
Não importa mais o tamanho da chuva que cai sobre os ombros, não existe mais nada que me prenda no caminho e eu nunca vou voltar.
- Vamos, vamos... me de a mão. Cave, cave. Você pode me ouvir? - não há resposta. Não pode me ouvir. - Vamos, a culpa é minha. Metade? Inteira? Não importa. Venha, venha! Me de a mão. - lá se vai, de novo. Pesadelo e sua controvérsia. - Tenho uma mentira para contar a vocês: não se esqueçam, eu vou esquecer. O trem! o trem! e já me perdi mais uma vez.
Sonhos e muitos sonhos, de me sentir perdida, de qualquer coisa. E em cada ponto me sentido tão longe e ainda sim cada vez mais perto.
No sonho eu senti como era ter o coração perfurado por uma bala, eu senti a falta de ar que a dor me causou. O barulho ecoando dentro da cabeça como a falta de todas as palavras indispensáveis... e sem pergunta, sem resposta se tornaram simplesmente dispensáveis.
De repente o fim é sempre um novo começo... e um novo começo sempre pode ser igual. E tudo sempre pode ser um ciclo vicioso. Um complexo ciclo vicioso... uma cobra abocanhada ao próprio rabo. Será mesmo tão complexo... uma falha... uma falha e de repente surge uma escolha. Mas o ciclo pode se tornar meramente cansativo e doloroso.
Toda a dor real pode ser viciante de vez em quando... a solidão também. Por pior que seja é o que faz algum sentido em um lugar onde nada faz. Sentir-se vivo. E junto a isso vem a vontade de que o tempo corra e que acabe logo. Tremendamente paradoxal... e errado talvez. Agradeço pela vida... vez ou outra não sei o que é isso, vez ou outra pergunto sobre a existência. A dor me lembra o quanto isso ainda é real.
Eu não queria que certas coisas tivessem um fim, não aproveitei como devia. Errei, e talvez eu saiba onde. Culpada pelo meu próprio assassinato.
Será mesmo o final do amor dessa vez? Deveria acreditar que tudo foi uma grande mentira? Deveria crer que o amor é apenas mais uma dor real e que a perda torna tudo completamente sem sentido? O que vem a ser todo esse sonho?
Achei que seria muito fácil colocar tudo pra fora, deixar todos os desejos se tornarem fumaça... mas um sonho, uma vontade, uma lembrança tudo isso me deixa saber que o silêncio mata mais que um tiro no coração.
E de repente ali estava formado um sofá preto... eu deitei para nunca esquecer. Até que o despertador me chamou para a vida real.
Os lábios vermelhos agora se confundem com o sangue dos cortes. Por um momento aquele quadro fez todo o sentido. E não era assim tão absurdo pensar nos porquês. Mesmo que nenhuma resposta fizesse sentido, mesmo que eu não soubesse nenhuma pergunta.
Não era absurdo porque eu senti que estava certa, e só me faltou um pouco de coragem pra fazer tudo errado.
De repente me deu vontade de quebrar minhas próprias regras, meus limites. Será que posso me desobedecer? Apenas um 'oi'? Não, não e não.
Queria poder me controlar nesse momento, seguir minhas promessas e não escrever mais nada. Queria poder controlar minhas mãos e colocar um ponto final aqui, mas não vou...
Talvez tudo tenha mesmo acabado, o problema é que eu embarco na vulnerabilidade dos pensamentos e de novo não importa o quanto eu diga que não importa mais. Vocês seriam capazes de acreditar se eu dissesse que não importa mais?
As coisas não são tão fáceis como parecem, e por maior que seja a vontade de deixar para trás, a dificuldade do desapego ainda é visível.
Eu não queria escrever sobre saudades, nem sobre falta, nem sobre nada que pudesse mostrar minha fraqueza... A verdade é que eu nunca pensei que eu sentiria tanta falta de uma mordida, de um puxão no cabelo. Nunca pensei que eu pudesse sentir falta de tanta dúvida, do cheiro do cigarro...
A quem eu quero enganar? a mim mesma? vocês? Talvez. Eu sei que a mim eu não engano, infeliz ou felizmente.
Eu me perdi por inteiro em palavras que eu julguei serem verdadeiras, participei de um jogo que eu tinha certeza que nunca poderia vencer... Não sei de onde vem essa minha vontade de te -lo, mas agora eu sei que ela não vai ficar.
O relógio soou sua primeira
badalada;
o último minuto para o fim
da história.
um estilhaço de vidro,
refletindo um jogo de mentiras,
revelando um tempo desperdiçado
pela impossibilidade do desapego.
Por sobre as asas de um anjo,
enxerguei mentiras e desesperos.
Por detrás das sombras muito medo,
nada menos que esperança incrustada em seus olhos.
Não venho dizer nada
sobre o sangue que alimenta uma alma envenenada.
Mas tiro o chapéu pra quem ousar continuar
no seu jogo infernal.
o desconhecido encanta,
só será mais uma fase.
até que você volte a me assombrar,
mas dessa vez devo dizer que nunca vou voltar.
sacrifícios ousados,
bocas impertinentes.
sorrisos falsos, e
novos prazeres.
Um coração dilacerado pela perda.
O remédio é a mentira,
evite demostrações.
Vou correr pra muito longe
Cultivando a indiferença,
embriagada de analgésicos
Remendando buracos,
permitindo a amnésia.
Em seu último badalar
um aviso: o trem já vai partir.
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